Vamos entao entrevistar o André, dono e um das pessoas que fazem um site de humor, o
http://www.dizquedisse.com
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O que te motivou a fazeres um site de humor?
A minha história não deve ser diferente da história de grande parte das pessoas que se meteram nestas andanças humorísticas pela internet. Sempre gostei de escrever, de inventar, cresci a ver comédias nacionais, estrangeiras, a ler as revistas britânicas da especialidade e a famosíssima MAD (versão brasileira, americana e inglesa).
Com a disseminação da internet, acho que fiz um site com uma colecção de textos meus apenas porque descobri como o fazer. Com o tempo, lá fui aprendendo a mexer melhor nas ferramentas e a refinar os resultados. Foi assim que "foi surgindo" aquilo que é hoje o Diz Que Disse.
É um humor diferente do que existe, ou é um concorrente a outros sites?
Concorrente não acredito que seja. Acho que só se devem utilizar adjectivos como "concorrente" quando estão envolvidas relações comerciais. O DQD não me dá dinheiro algum. Muito pelo contrário. Em termos de projectos nacionais, julgo que o DQD não se assemelha a nada do que se encontra por aí. Não digo que seja melhor ou pior. É apenas
diferente. Tem um estilo muito corrosivo, sarcástico, sem papas na língua e por vezes absurdo. Acho que é a conta, peso e medida em que estas variáveis interagem que determina aquilo que resulta no final.
Quem participa no projecto?
De tempos a tempos lá têm aparecido alguns participantes que trazem o seu espírito humorístico ao DQD. É o caso de Jorge Sequeira que escreveu "As crónicas de um funcionário público" (o Jorge é, curiosamente, um funcionário público). E também a Dra. Arlete Penim, que é mesmo advogada, embora não seja esse o seu nome verdadeiro. De resto tenho feito tudo sozinho. Estou agora a aliar-me a um pequeno grupo de malucos que parecem nutrir vontade de escrever coisas interessantes para o DQD. Estamos ainda
a preparar material em conjunto, apesar deles já escreverem no nosso blog recentemente criado (
http://dizquedisseram.blogspot.com )
As vossas profissões "off-site" são relacionadas com humor?
Nada mesmo.Trabalhei em publicidade (pós-produção) durante uns anos, após ter finalizado o curso de engenharia de som em Inglaterra (onde vivi durante uns anos, pois sou 1/4 inglês e tenho lá família). Fartei-me da publicidade e hoje tenho uma empresa de importação/distribuição/instalação de produtos para meios profissionais (estúdios, televisões, rádios, etc.).
Por isso, não posso dizer que esteja a fazer nada relacionado com humor
durante o dia, apesar de fazer um esforço para imprimir uma linha
humorística em quase tudo o que faço.
O que acham da Stand-up Comedy em portugal? Tem futuro?
Futuro tem de certeza. É um formato testado e comprovado em países mais evoluídos e que possui grandes tradições humorísticas. Julgo que veio para ficar.
O que gostaria era de ver melhores comediantes e melhor material. Mas daí, acho que a grande maioria do público nacional ainda não está preparado para stand-up ao estilo de "hard-liners" como Ricky Gervais, Bill Hicks ou Jack Dee. Ainda estamos num período de gestação em que tudo o que vem à rede é peixe. Com as pessoas certas nos sítios certos, quem sabe se daqui a meia-dúzia de anos não teremos excelentes comediantes e
um público mais exigente?
Existem já programas de televisão/rádio como "O homem que mordeu o cão", "O perfeito anormal", "O Homem da conspiração", "As teorias do Nilton". Voces identificam-se com o tipo de humor?
Não posso generalizar todos os programas de humor e enfiá-los na mesma cesta. Gosto muito do trabalho do Nuno Markl, tendo até sido entrevistado no seu programa "O homem que mordeu o cão". Mas, sinceramente, gostava mais da versão radiofónica do que da versão televisiva. Acho que lhe falta um pouco de dinâmica e "tomates". Mas aí está: ou a equipa está motivada e sintonizada no mesmo estado de espírito, ou as coisas não parecem naturais. E como nunca houve a tradição de se fazer "humor urbano" em Portugal, grande parte dos profissionais do sector ainda parecem andar um pouco às aranhas. Falta-lhes algum vocabulário. Tenho a sensação que, em Portugal, os humoristas são pessoas como nós, que cresceram e alimentaram-se da melhor comédia estrangeira. E quando têm de trabalhar com produtores, realizadores e estações de televisão, dão de
caras com pessoas cuja noção de humor é a revista à portuguesa. Que não tem mal algum, mas é um tipo de humor diferente daquilo que a nossa geração quer implementar na cultura portuguesa.
Que recursos usam mais para fazer humor, e porque?
De tudo um pouco. Portugal é um país riquíssimo em matéria-prima para se fazer humor!
Mas não queria que o DQD se centrasse apenas na crítica política, até porque não sou das pessoas mais esclarecidas nessas matérias. Apenas tento acompanhar o que se passa à minha volta como qualquer cidadão minimamente interessado. Por isso, não aparecem no DQD apenas artigos de críticas políticas, mas também sociais, críticas a tendências e modas, etc. Acho que basta dar uma vista de olhos nos artigos do DQD e nos textos do blog para se perceber que se está apenas a raspar a superfície daquilo que podia ser feito. Mas há projectos muito interessantes para o futuro, que passam pelo áudio, alguns sketches em video e alguns eventos onde todos os leitores poderão participar...
Até agora o DQD tem sido um hobby que persigo nos meus tempos livres. Mas acho que está a ganhar um público interessante e está na altura de dar o passo em frente e passar para o nível seguinte.
2005, espero, talvez seja o ano da ascenção do DQD.
Em termos do servidor web, para os nossos utilizadores terem a noção,
quantos GB são usados por mes?
Se me estás a perguntar o "tamanho" do site, anda na ordem dos 30 MB, tamanho esse que vai aumentar consideravelmente com a inclusão do áudio da Rádio DQD (ficheiros mp3 e RealAudio).
Agora, se te referes ao tráfego mensal do site, não faço a mínima ideia. Não tenho pachorra para andar a verificar esse tipo de coisas. Tenho ideia, graças aos relatórios semanais que recebo do servidor, que o número de visitantes diários oscila entre os 200 (num dia mau) e os 500 (num dia bom). Portanto, fazendo uma média a 300 visitantes diários, estamos a olhar para 9000 e poucas almas a ler o DQD todos os meses. O
que, por si só, é capaz de explicar o estado em que o nosso país se encontra...
Mais do que isso não faço ideia.
Consideras o Vitominas.com (onde o dono foi entrevistado recentemente
no nosso forum) um site de humor ou de critica?
Tive de dar uma olhadela antes de responder, pois já tinha olhado para o site mas nunca o tinha explorado como deve ser.
Se é humor ou crítica? Não sei. Parece ser um pouco dos dois.
Sinceramente não gostei. Parece-me um projecto um bocado infantil e brejeiro de um tipo que sabe mexer em Flash. Mas isto é apenas a minha opinião. De certeza que ele deve ter muitos mais visitantes que o DQD.
Desejo-lhe a melhor das sortes. Qualquer coisa que faça rir os portugueses deve ser de louvar.
O que aconselhas a quem quer escrever uns textos para fazer rir o
pessoal?
Essa é boa! Não sou propriamente um estudioso de técnicas humorísticas.
Não saberia aconselhar ninguém sobre o melhor caminho a tomar, pois acho que a particularidade mais fantástica do humor é, precisamente, ser inesperado. Se desse um conselho, estaria a levar as pessoas para uma determinada direcção. Quando, na verdade, acho que as coisas realmente interessantes apenas surgem quando fazemos aquilo que gostamos, e não quando estamos a tentar agradar os outros ou a seguir um conjunto de
regras pré-estabelecidas.
Por isso, se tiver de deixar uma última palavra, acho que é pedir para que as pessoas sejam fiéis a si próprias quando fazem qualquer coisa. O humor não deve ter fronteiras e deve poder dizer-se o que se quiser. Isso é liberdade de expressão. É preciso gente com colhões neste país!
E se toda a gente diz mal do José Castelo Branco porque ele é um alvo tão fácil, porque não encontrar um ângulo qualquer no homem em que se possa dizer bem dele? "Ver o outro ângulo", da pouca experiência que possuo em humor, parece ser um dos ingredientes para se escrever qualquer coisa com piada.
Já agora, aproveito para agradecer esta entrevista e deixar um
cumprimento a todos os que me lêem.
São projectos como este que vão revolucionar a informação no séc. XXI.
Nós é que agradecemos, boa sorte no teu website! 