Boas,
Há já algum tempo optei por essa alternativa, "correr" um servidor smtp no meu pc. Vou deixar aqui um relato das minhas aventuras e conclusões, para quem esteja interessado em implementar esta solução.
Numa primeira fase dediquei-me a experimentar as soluções disponíveis, com o principal objectivo de conseguir uma solução segura, fiável, preferencialmente "free" e já agora que me agradasse. Comecei por constatar que não há muitos programas que cumpram estes requisitos, principalmente o serem (realmente) gratuitos e seguros.
A questão da segurança tem principalmente a ver com o impedir a utilização por terceiros dos "préstimos" do servidor. Durante a fase de experiências pude constatar por experiência própria que existe uma imensidão de "amigos" cheios de vontade de o fazer. O exemplo mais assombroso foi uma tentativa de alguém encaminhar cerca de 33.000 mails pelo servidor que tinha na altura a correr e que felizmente não foi bem sucedida.
Após esse episódio o questão da segurança tornou-se para mim o ponto principal e levou-me a descartar programas "girinhos" que nesse aspecto não me ofereciam grandes garantias.
Acabei por descobrir a solução que ainda uso quando experimentei o Mercury Mail, um completo servidor de mail "freeware", do mesmo autor do Pegasus Mail (
http://www.pmail.com)
Este programa tem a vantagem de ser construído em blocos ou módulos e oferece-nos a possibilidade de, graças ao seu fabuloso assistente de instalação, seleccionarmos os módulos que pretendemos utilizar.
Neste caso instalei apenas os módulos necessários para o objectivo em causa que são 3:
- O módulo principal o "smtp core module", obrigatório para o serviço smtp
- O módulo servidor smtp, que irá "receber" os mails enviados a partir do nosso programa cliente de mail.
- O módulo cliente smtp, que faz a entrega desses mail's aos respectivos destinatários, ou seja, que "contacta" os servidores dos destinatários (p.ex. da hotmail.com, yahoo.com, netcabo.pt, etc...).
Logo no primeiro contacto agradaram-me sobretudo as possibilidades no plano da segurança oferecidas por este programa. Apresenta tres modos de controle de acesso cada um deles configurável.
Para um utilizador único (uma máquina) ou mesmo no caso de servir uma pequena rede recomendo o chamado modo restrito, o mais "fechado" de todos. Aqui a regra é não permitir o acesso e abrem-se excepções a utilizadores designados. A própria máquina onde corre o servidor (127.0.0.1 ou localhost) terá de constar da lista de utlizadores autorizados, caso contrário nem essa...
O facto é que, com esta configuração, este foi o unico programa que após muitos meses de uso continua "surdo" aos muitos pedidos de "serviço" que continuo a receber.
Portanto: extremamente seguro, 100% "free", robusto e fiável. A interface funciona, mas a estética...isso pelos vistos é palavra que o autor ignora por completo.
Há um ponto fraco que pode vir ao de cima com a implementação duma solução deste tipo (um servidor smtp "pessoal"): o servidor DNS.
Isto é (normalmente) um dos serviços disponibilizados pelo nosso ISP e consiste basicamente na "tradução" dos endereços em forma "humana" para a forma "informática" ( p.ex. de "www.forunsbb.com" para "82.155.1.126")
Principalmente para os tais 200 mails por dia, poderemos rápidamente chegar à conclusão que por um lado o serviço de "tradução" disponibilizado pelo nosso ISP e por outro a forma como o sistema operativo (leia-se windows) trata este assunto leva a que muitos emails "sofram" muito para conseguirem chegar ao seu destino...se lá chegarem.
Mas há muitas soluções para isso, também. No meu caso, instalei um servidor DNS freeware chamado TreeWalk e acabaram-se as confusões por aí.
Após tudo isto resta apenas configurar o cliente de mail (Pegasus Mail, Eudora, Outlook, Thunderbird, etc..). O Mercury "serve" qualquer programa, embora a sua integração com o Pegasus seja naturalmente "instantânea" dado serem da mesma "casa".
Basta definir como servidor smtp o endereço da máquina onde corre o Mercury, sendo que se estivermos a falar do mesmo pc será o tal 127.0.0.1 ou "localhost". A porta será por defeito a 25, mas pode ser alterada para o valor pretendido, devendo naturalmente esse valor ser configurado também no Mercury.
Assim, quando enviamos mensagens estas serão encaminhadas para o Mercury que as coloca numa espécie de "tabuleiro de saída". De tempos a tempos (valor configurável) o módulo cliente de smtp do Mercury procede às entregas das mensagens aos seus respectivos destinatários, "questionando" para tal o servidor dns quanto aos endereços "reais".
Existem ainda muitos parâmetros configuráveis que não referi, como a plossibilidade de impor um limite ao numero de mensagens a enviar em cada ciclo ou num determinado período de tempo. Mas a principal vantagem deste programa é, insisto, a segurança.